quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

CRISTOLOGIA – A DOUTRINA DE JESUS CRISTO

O estudo da pessoa de Jesus Cristo se reveste de grande importância por causa da relação que Ele sustém com o cristianismo; uma relação que nenhum dos outros fundadores de religiões tem para com suas religiões. Pode-se ter o confucionismo sem Confúcio; o budismo, sem Buda; o maometismo, sem Maomé; o mormonismo, sem Josefh Smith; a chamada Ciência Cristã, sem Mary Baker Eddy; o raiar do milênio, sem Russel; mas, é impossível haver o cristianismo sem Jesus Cristo; pois, estritamente falando, o cristianismo é CRISTO e CRISTO é o cristianismo. Não se trata, primeiramente de uma religião; antes, é um modo de vida, e essa vida é a vida de Jesus Cristo posta em ação viva nos homens. Cristo em vós, a esperança da glória.
O Cristianismo não pode ser comparado com outros cultos, como também Jesus Cristo não pode ser comparado com outras pessoas. Jesus Cristo é o Incomparável; Ele está acima dos homens como os céus estão acima da terra. Da mesma forma, o cristianismo é incomparável. Acha-se em plano tão afastado do nível das religiões humanas, quanto está o ocidente do oriente.
A palavra de Deus é a base do Cristianismo. Essa palavra é Jesus Cristo. Do Gênesis ao Apocalipse, as Escrituras apresentam o Senhor Jesus. Na estrada de Emaús, Jesus Cristo começou com Moisés e percorreu todos os Profetas, explicando aos seus discípulos o que dEle se achava dito em todas as Escrituras. Assim o cristianismo quer se trate da salvação da maldição do pecado, da salvação do poder do pecado, ou da salvação da presença do pecado, tudo é tornado possível em Jesus Cristo e por meio dEle.
Mesmo no terreno da ética, a ética do cristianismo é incomparavelmente superior a ética das demais religiões. A ética das religiões humanas pode ser cumprida, enquanto que a ética de Jesus Cristo é humanamente impossível de realizar-se, isto é, fora de Jesus Cristo, que a ensinou. Por exemplo, ninguém pode viver aquela espécie de vida esboçada nas Bem-aventuranças ou a vida apresentada no livro de Filipenses, a não ser pela presença de Jesus Cristo, habitando em nós e nos capacitando.
As Escrituras apresentam a Pessoa de Jesus Cristo como tema central da mensagem transmitida aos homens através dos tempos.
At 3.20 “A fim de que da presença do senhor venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado”.
At 10.43 “Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê receba remissão de pecados”. Era o tema da mensagem dos antigos.
At 5.40-43 “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenado-lhes que não falassem em nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio, regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de pregar Jesus, o Cristo”. At 9.20 “E logo pregava nas sinagogas a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus”. Foi o tema da mensagem dos apóstolos.
At 17.1-3 “Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram o Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-lo e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e que este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que vos anuncio”. Foi o tema apresentado aos judeus.
At 8.5 “Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo”. Foi o tema da mensagem aos samaritanos.
Gl 1.15-16 “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue”. Tema da mensagem aos gentios.
Mc 16.15 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Rm 1.1-4 “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, o qual foi por Deus outrora prometido por intermédio dos profetas nas Sagradas Escrituras, com respeito a seu Filho, o qual segundo a carne, veio da descendência de Davi, e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor”. 1Co 15.1-3 “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as escrituras”. É o tema do Evangelho que temos ordem para pregar hoje.
I Co 16.22 “Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema. Maranata!” Gl 1.6-9 “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho; o qual não é outro,
senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue o evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que já recebestes, seja anátema”. Deus anatematiza todo o que prega qualquer outro evangelho.

Nossa mensagem é Jesus Cristo é o testemunho consentâneo dos líderes cristãos de todas as regiões do mundo pelo período de mais de dezenove séculos. Na providência de Deus, outros homens podiam ter transmitido a mensagem que foi entregue por Moisés e Arão, Davi e Isaías, Pedro e Paulo, substituindo-os sem modificar intrinsecamente sua mensagem. Mas, não se dá o mesmo com Jesus Cristo, que é o tema da mensagem. Sem Ele, o cristianismo não seria o que é. Qualquer modificação do destaque dado à Pessoa de Jesus Cristo, roubá-la-ia de Suas divinas realidades.


A HUMANIDADE DE JESUS CRISTO

Jesus Cristo era o Filho do homem, conforme Ele mesmo proclamou. Nessa qualidade, Ele é o representante de toda a humanidade. Para Ele convergem todas as linhas de nossa comum humanidade.
Ele era Filho do Homem, no sentido de ser o único que realiza tudo que está incluído na idéia do homem, na qualidade de segundo Adão, o cabeça e representante da raça; a única e perfeita flor que já desdobrou-se da raiz do tronco da humanidade. Tomando para Si esse título, Ele testificou contra pólos opostos de erro acerca de Sua Pessoa; o pólo ebionita, que seria o resultado final do título exclusivo Filho de Davi; e o pólo agnóstico, que negava a realidade da natureza humana que levava esse nome.
Jesus Cristo pertence à raça e dela participa, nascido de mulher, vivendo dentro da linhagem humana, sujeito a condições humanas e fazendo parte integral da história do mundo.
Sua humanidade é demonstrada através de:

1. Sua ascendência Humana
Ao nascer, Jesus Cristo submeteu-se às condições da vida humana e do corpo humano; Ele se tornou descendente da humanidade por meio do nascimento humano.

2. Feito de mulher.
Gl 4.4 “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.
Mt 1.18 “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo”.
Mt 2.11 “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertar: ouro, incenso e mirra”.
Mt 12.47 “E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”.
Jo 2.1 “Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus”.
Hb 10.5 “Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, antes corpo me formaste”.
Nesta altura, cabe tratarmos do Nascimento Virginal de Jesus Cristo. Consideremos algumas objeções coerentes:

a) Primeira objeção
Os relatos do nascimento de Jesus Cristo, em Mateus e Lucas, foram adicionados séculos após terem sido escritos os Evangelhos.
Os capítulos de Mateus e Lucas, nos quais aparece o registro do nascimento virginal de Jesus Cristo, encontram-se em todos os manuscritos não mutilados do novo testamento, que são muitos; em nenhum deles se verifica a omissão destes capítulos, além do que encontramos em todas as versões e traduções dos manuscritos reconhecidos como genuínos. Nenhuma cópia do Evangelho de Mateus ou do Evangelho de Lucas jamais os omitiu. Há milhares de manuscritos, como também muitas versões do Novo Testamento, que remontam até meados do século II da era cristã, tal como os possuímos hoje.
Sabe-se que já existia, no início do século II, o Credo Apostólico que diz: “Nasceu do Espírito Santo e da Virgem Maria”.
Sessenta anos após a morte de Jesus Cristo, seus seguidores falavam e escreviam acerca do nascimento da virgem.

b) Segunda objeção
Há contradições entre os relatos de Mateus e Lucas sobre o nascimento de Jesus Cristo, em relação ao registro genealógico.
Mateus relata a história do ponto de vista de José, ao passo que Lucas a relata do ponto de vista de Maria; o que um omite, o outro supre, pois um relato suplementa o outro. Lucas fornece mais detalhes do que Mateus, pois Maria sabia mais a respeito do sagrado mistério do que José. Ambos, entrando, concordam que Jesus Cristo nasceu de uma virgem. Muitos têm dito que há contradição na genealogia de Lucas. A objeção a essa passagem é que, enquanto Mateus diz que era José filho de Jacó, Lucas afirma que era filho de Eli. Perguntam então: Em que sentido podia ser ao mesmo tempo filho de Jacó e de Eli? Ele não podia ser, por geração natural, filho tanto de Jacó como de Eli. Em Lucas, todavia, não se afirma que Eli gerou José, pelo contrário a explicação natural é que José era genro de Eli, o qual, como ele mesmo, era descendente de Davi. Nesse caso, que ele tenha sido chamado filho de Eli, estaria em conformidade com a maneira judaica de dizer.
Tanto Lucas como Mateus tiveram o cuidado de não dizer que Jesus Cristo era realmente filho de José. Mateus usa de uma perífrase, justamente a fim de evitar esse conceito. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo, enquanto que Lucas insere a cláusula: Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era como se cuidava, filho de José, filho de Eli. Assim se verifica que a objeção comum à inclusão do nome de José na genealogia de Jesus Cristo, como se fosse Seu pai, já que ele não era pai de Jesus Cristo, fica invalidada.

c) Terceira objeção
Se Jesus Cristo tivesse realmente nascido de uma virgem, o fato seria de tamanha relevância que teria sido assunto de revelação de Sua parte.
No tocante ao silêncio de nosso Senhor relativamente ao Seu nascimento, é pura especulação imaginar o que Ele deve ou não ter dito. João afirma que seu livro contém mero fragmento das palavras de nosso Senhor. Jesus Cristo também assegurou a Seus discípulos que Ele ainda tinha muitas cousas para dizer-lhes, mas que eles não estavam em condições de suportá-las. Se, contudo, for levado em consideração o argumento baseado no silêncio de Jesus Cristo, então deveremos levar em consideração o fato de não constar também que nosso Senhor, que indubitavelmente era membro ideal da família de José, alguma vez se tenha referido a José como Seu pai, embora se referisse a Maria como Sua mãe. Jo 19.26 “Vendo Jesus sua mãe, e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho”.
Se não fosse verdade ter Ele nascido da virgem, seria mais que provável que Jesus Cristo o negasse, uma vez que tal história só podia prejudicar o bom nome de Sua mãe. O argumento baseado no silêncio é muito precário. Basta dizer que o sagrado relato se torna corrente ainda em vida de Jesus Cristo. Isabel, mãe de João Batista, o conhecia:
Lc 1.39-45 “Naqueles dias, dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ouvindo esta saudação da Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre. E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu senhor? Pois logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor”. E, aos poucos, foi-se tornando conhecido de todos os discípulos. Tão estupendo e glorioso fato não podia permanecer oculto durante muito tempo.

d) Quarta objeção
O silêncio de João, Marcos e Paulo, sobre o nascimento virginal de Jesus Cristo, não pode ser explicado.
Ainda nos dias de João, havia surgido uma heresia fatal: negava-se que Jesus Cristo veio em carne, e João escreveu seu Evangelho para refutar essa heresia. Com uma penada, João começa a traçar a descendência divina de nosso Senhor, que remonta para além de Adão, antes mesmo que as estrelas matutinas cantassem ou os mundos tivessem sido formados e tivessem sido compostos sistemas, levando-nos até à própria eternidade, ao dizer: No princípio era o Verbo, o Logos, o agente ativo do Deus Todo-poderoso. João ensina, nesse primeiro versículo de seu evangelho, a eternidade de Jesus Cristo, sua unidade com Deus e Sua Divindade; e passa a mostrar, através das páginas de seu evangelho, a glória, a autoridade e o poder do eterno Filho de Deus. O livro inteiro subentende um nascimento miraculoso.
A objeção a que dão tanta importância é o silêncio, nos demais Evangelhos e outras partes do Novo Testamento, a respeito de como Jesus Cristo foi concebido. Isso, alegam, prova contundentemente que o nascimento virginal não era conhecido nos círculos cristãos dos primeiros tempos e que não passa de uma lenda de origem posterior. No que diz respeito aos Evangelhos, a objeção só seria válida se o objetivo de Marcos e João fosse narrar, como fazem os outros dois evangelistas, as circunstâncias da natividade. Evidentemente, porém, não é esse o seu objetivo. Tanto Marcos como João sabiam que Jesus Cristo teve nascimento humano, infância e juventude, e que sua mãe se chamava Maria; mas, propositadamente, nada nos dizem a respeito. Marcos começa o Evangelho com o início do ministério público de Jesus Cristo, e nada diz do período anterior, especialmente de como Jesus veio a ser chamado Filho de Deus. Mc 1.1 “Principio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”.
João fala da descendência divina de Jesus e nos informa que o Verbo se fez carne. Jo 1.14 “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai”.
Porém, como sucedeu esse milagre da encarnação, ele não diz. A informação não fazia parte de seu plano. Ele conhecia a tradição da igreja sobre o assunto: possuía os evangelhos, que narram o nascimento de Jesus Cristo de uma virgem, e aceita sem discussão o ensino desses Evangelhos.
Falar em contradição, num caso tal como esse, é completamente fora de ordem.
O propósito de Paulo, ao escrever, foi particularmente o de tornar claro o fato da expiação, da ressurreição e do segundo advento de Jesus Cristo, como conseqüência deixa de lado os incidentes da vida de Jesus Cristo. Seria igualmente razoável argumentar que Paulo não acreditava nos milagres do Senhor, pois faz silêncio tanto sobre seus milagres como sobre Seu nascimento. Paulo sabia que a maior confirmação do nascimento virginal de Jesus Cristo estava na ressurreição, pelo que erigiu seu argumento sobre o caráter sem paralelo, a mediação, a vida ressuscitada, a intercessão, a presença e o poder espiritual de Jesus Cristo, conforme vista em Sua Igreja em expansão cada vez maior. Todos esses fatos pressupõem a Encarnação. O nascimento virginal está subentendido nas seguintes passagens:

Fp 2.7 “Antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornado-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana”.
Rm 8.3 “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o Seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus na carne o pecado”.
Gl 4.4-5 “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.


e) Quinta objeção
Os discípulos estavam divididos em sua crença a respeito do nascimento virginal de Jesus Cristo, pois alguns sustentavam que Ele era filho de José, enquanto outros criam que era Filho de Deus. Visto que não estavam de acordo entre si, porque havemos de considerar de grande importância essa questão hoje em dia?
Essa objeção se baseia nas seguintes passagens das Escrituras:
Mt 13.55 “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?”
Essas palavras foram proferidas pelos judeus que, ao verem as obras maravilhosas operadas por nosso Senhor, sentiram-se capazes de explicar Sua Pessoa por meios naturais, por isso fizeram essa pergunta. Aqui não existe a menor evidência de que os discípulos de Jesus Cristo sustentassem semelhante opinião.
Jo 1.45 “Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, a quem se referiram os profetas, Jesus, o Nazareno, filho de José”.
Essas palavras citam o que disse Filipe, que acabava de tomar a decisão de se tornar discípulo de Jesus Cristo, e que, até então, não ouvira falar na encarnação. Por isso, igualmente, tal afirmação de que Ele era filho de José.
Jo 6.42 “E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora, diz: Desci do céu?”
Essas palavras foram proferidas pelos judeus, que não eram discípulos de Jesus Cristo, e foram ocasionadas pelo notável discurso de Jesus Cristo sobre o pão da vida. Era a esse respeito que os judeus incrédulos murmuravam, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu, e perguntando: Não é este Jesus, o filho de José? Nosso Senhor ensinou que a incredulidade nunca pode aceitar o fato da encarnação, pois essa verdade está moralmente oculta de todos exceto àqueles que são filhos da fé. A julgar por essa passagem, não há base para o ponto de vista de que, entre os discípulos de Jesus Cristo, existia uma tradição que afirmava que Jesus Cristo era de fato filho de José.

f) Sexta objeção
O conceito do nascimento virginal, sugestão derivada dos mitos pagãos sobre deuses encarnados, foi adotado pelos discípulos a fim de exaltar Jesus Cristo.
Os antigos mitos pagãos diziam que os deuses podiam vir à terra e se encarnar em homens. Seu conceito sobre essas supostas encarnações é, talvez, o que de mais vil e revoltante se pode encontrar na literatura antiga ou moderna. Segundo ela, um deus pagão se aproveita de uma esposa ou filha, de uma família pura, que melhor se adapte à sua depravação, e o filho é um super-homem, um deus-homem, um herói. Apesar dessa fantasia, nenhum escritor pagão afirmou que um de seus heróis tivesse nascido de uma virgem. Os escritores pagãos afirmavam que seus heróis, tais como Alexandre, César e outros, eram filhos de deuses; porém, nunca afirmaram serem eles filhos de virgens. Portanto, o argumento, baseado nos mitos pagãos, apresentado para derrubar o nascimento miraculoso de Jesus Cristo, cai por terra.
Apresentamos a seguir mais alguns argumentos que sustentam o fato do nascimento virginal de Jesus Cristo.
A inspiração das Escrituras está em jogo se não puderem estabelecer contundentemente a questão vital da natureza e da Pessoa de Jesus Cristo.
Em suma, não é apenas a doutrina da Concepção de Jesus Cristo que está em jogo, mas, sim, todas as doutrinas baseados na revelação das sagradas Escrituras. A questão aqui é da veracidade da revelação da palavra de Deus. É digno de nota que a autoridade das Escrituras é verdade estabelecida há séculos. A religião não pode dispensar a autoridade, como também não o pode o estado. Não podemos rejeitar a revelação autorizada do Espírito Santo sobre a questão infinitamente importante de quem é Jesus Cristo, como Ele veio, a natureza de Sua Pessoa e posição, sem solaparmos na crença, na veracidade das Escrituras sobre nossa relação pessoal com Deus. Se a inspiração não exerceu influência ou controle suficiente para impedir que Mateus e Lucas relatassem inverdades, a respeito de uma questão tão vital, então ela perde o próprio elemento que a torna inspiração. Isso significaria que nossa confiança na veracidade da Bíblia sobre questões vitais é sem base, e que o naturalismo ganhou a batalha. Nosso Senhor, contudo, disse: e a Escritura não pode falhar.
Os arqueólogos afirmam que poucos escritores antigos se aproximam da Bíblia, na exatidão de registros, e, naturalmente, os arqueólogos se referem a questões que pouco ou nada dizem a respeito da exatidão da Bíblia como autoridade sobre as relações de Deus com o homem e do homem com Deus. Ora, o Novo Testamento não é menos inspirado que o antigo. Quanto a isso, até os próprios adversários são obrigados a concordar. Por conseguinte, o Novo Testamento não pode falhar sem ser esmagada a fortaleza da autoridade de Jesus Cristo que, afinal de contas, é, como Ele próprio, o mesmo ontem, hoje e para sempre.

O argumento baseado na congruência oferece apoio a essas narrativas.
A concepção sobrenatural é congruente com o nascimento de uma pessoa sobrenatural. Jesus Cristo é a manifestação ímpar do sobrenatural no terreno natural, o milagre de Sua concepção está de conformidade com a natureza miraculosa de Sua pessoa. Somente meios sobrenaturais de encarnação parecem adequados para a entrada no mundo de uma pessoa divina e pré-existente, o que se pode apreciar melhor em nova tradução do relato de Lucas: como poderá ser isto, perguntou Maria ao anjo, se eu não tenho marido? O anjo lhe responde: O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o santo Filho, que nascerá de ti, será chamado Filho de Deus”. Sim, o registro dos fatos está em perfeita harmonia com toda a sucessão de eventos e circunstância naturais e sobrenaturais ligados ao Advento de Jesus Cristo. Adapta-se maravilhosamente à Anunciação, ao salmo de Isabel, ao hino de Maria, ao cântico dos anjos, à visita dos pastores, à aparição dos magos vindos do Oriente, à estrela que seguiram, à adoração do menino por Simeão e Ana no templo de Jerusalém, à tentativa de Herodes para matar o infante profético, mediante a matança geral das crianças, à fuga para o Egito, e assim por diante. Todo esse movimento, sem levar em conta tudo que sucedeu antes disso e depois do Pentecostes, é muito mais coerente com o nascimento virginal do que um nascimento comum.

O argumento psicológico e biológico sustenta a verdade do nascimento virginal.
É fato bem conhecido que herdamos dos nossos pais não somente o corpo, mas também a alma. A natureza psicológica da criança revela sua paternidade tanto quanto os característicos físicos o fazem. A herança não termina aí. A personalidade também é gerada, parte da qual se compõe de corpo e alma; o resto é espírito. De conformidade com a lei biológica, cada tipo de vida se reproduz segundo a sua própria espécie. Quando é possível dois tipos se unirem e produzirem descendência o divino com o humano, o sobrenatural com o natural. Como é impossível a encarnação de uma pessoa pré-existente, ao mesmo tempo que essa encarnação tenha pai humano, pode ser visto no fato de que nunca pai e mãe humanos geraram alguém que não fosse uma nova personalidade. A Concepção Miraculosa foi conforme a lei da herança, tendo herdado características tanto nos fatos sobrenaturais como do natural. A encarnação de uma pessoa divina em uma pessoa humana, gerada por pais humanos, significaria a existência de duas personalidades na pessoa gerada Biologicamente, é impossível sustentar que o filho de Maria, se foi gerado por pai humano, é o mesmo eterno Filho de Deus. Somos compelidos a assumir uma posição; ou não havia Filho de Deus pré-existente, ou não houve filho de pai humano quando Jesus Cristo nasceu. Se Deus Filho sempre existiu antes da encarnação, quem é essa segunda pessoa, o filho de Maria e de um pai humano? Se não acreditarmos no relato bíblico, não se pode evitar, lógica, biológica e psicologicamente, o erro de atribuir dupla personalidade a Jesus Cristo.

Argumento baseado na Divindade de Jesus Cristo e na Trindade sustenta a verdade da Concepção Miraculosa.
Vimos que as naturezas de duas vidas; do pai e da mãe; unidas pela concepção do embrião, determinam a natureza do ser gerado por elas.
Somente o que é gerado pelo divino e pelo humano pode considerar-se pertencente ao gênero divino e humano. Maria e José tiveram diversos filhos após o nascimento de Jesus. Se Jesus não nasceu de mãe virgem, então Tiago, José, Judas, Simão e suas irmãs pertenciam genericamente, à mesma classe de Jesus Cristo. É justamente o parentesco divino de Sua Pessoa. Se Jesus Cristo tivesse tido pai humano, seria igual a todos nós. Genericamente falando, o que não nos daria razão de defender Sua Divindade pessoal do que defender a divindade pessoal de todos nós.
Sl 69.8 “Tornei-me estranho a meus irmãos, e desconhecido aos filhos de minha mãe”.
Mt 13.55-56 “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não vive entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isso?”
Mc 6.3 “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem entre nós suas irmãs? E escandalizaram-se nele”.
Não é propriamente a pessoa que resolve crer ou não na doutrina da trindade. Antes, é essa doutrina que seleciona quem deve receber, pois a sua aceitação é imposta pelos poderes, obra e Pessoa sobre-humana de Jesus Cristo. Portanto, concluímos naturalmente que Ele e Seu nascimento se harmonizam, e que o meio de Sua entrada na vida humana, necessariamente diferiu de nossa maneira de entrar nesta vida, assim como Ele também difere de nós no que tange à Sua Pessoa, obra, posição e poder. Se Jesus Cristo não é uma pessoa sobrenatural, então não existe a Trindade. Se a corrente está partida aqui, seus diversos elos restantes não têm valor.

Argumento baseado na Redenção sustenta a verdade do Nascimento Virginal.
Para termos ponto de vista correto sobre a obra expiatória de Jesus Cristo, temos que possuir ponto de vista acertado sobre Seu nascimento. Quanto menos vemos na Divindade de Jesus Cristo em seu nascimento sobrenatural, menos vemos dessa divindade em Sua morte expiatória. Quando perdemos de vista o Senhor Jesus Cristo histórico dos Evangelhos e sua Concepção Miraculosa, conforme ali registrada, nem sombra de divindade resta para efetuar nossa redenção.
Disso testifica a experiência de Milh.
Os que tem nascido de novo pela fé em Jesus Cristo. Geralmente quem nega o nascimento virginal são pessoas que não experimentaram a regeneração pelo Espírito de Deus e nem ao menos acreditam nessa experiência. Sermos nascidos do Espírito de Deus coloca-nos em situação que podemos aceitar o sobrenatural da Bíblia, pois somos, em nós mesmos e em nossa experiência, testemunhas do sobrenatural. Essa experiência, que nos liga espiritualmente a Deus, prepara-nos para tudo mais, na revelação divina que estiver acima e além da mente natural.
Cremos no nascimento virginal porque nenhuma objeção levantada contra ela foi suficiente, satisfatória ou concludente. De fato, nenhuma objeção positiva ou evidente já foi, nem pode ser levantada. Os que negam a verdade da história, afirmam tratar-se de um fato.

Feito da semente de Davi
R.m 1.3 “Com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne veio da descendência de Davi”.
At 13.22-23 “E tendo tirado a este, levanto-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel o Salvador, que é Jesus”.
Lc 1.31-33 “Eis que conceberás e darás a luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”.
Mt 1.1 “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, Filho de Abraão”.

Este aspecto do parentesco humano de Jesus Cristo nunca foi alvo dos ataques feitos em torno da doutrina do Nascimento Virginal, ataque este que vem se intensificando durante a presente era. Contudo, a palavra de Deus declara que o Messias havia de ser da semente de Davi, com a mesma clareza com que afirma que havia de nascer de uma virgem. Como cristãos, devemos familiarizar-nos com o conjunto de verdades relacionadas com a linhagem de Jesus Cristo no pacto davídico.
Diferentes opiniões têm sido oferecidas com referencia às genealogias registradas no Evangelho de Mateus e no Evangelho de Lucas. Fosse qual fosse o propósito do Espírito Santo, ao inspirar essas duas genealogias, permanece em pé a verdade que ninguém, principalmente o judeu, poderá levantar dúvida quanto ao direito de Jesus de sentar-se no trono de Davi. Tanto José, o humilde carpinteiro, como Maria, a jovem que achou graça diante de Deus, era da linhagem de Davi. No Evangelho de Mateus, a genealogia é de José. No Evangelho de Lucas, ao que parece, a genealogia é de Maria. É evidente que ambos tinham sangue real. A esse casal, de condição social humilde, porém, de sangue nobre, Deus confiou Seu Filho.

Pastor Domingos Dias Ferreira
Assembléia de Deus Bom Jardim - SP
PROFECIAS

Profecias do Nascimento de Jesus Cristo: Gn 3:15, Is 7:14, Mq 5:2

Profecias da Vida de Cristo: profeta Dt 18:15, Sacerdote I Sm 2:35, Rei Jr 23:5-6, Alicerce Is 28:16, Servo Is 52:13 , Operador de milagres Is 35:5-6.

Profecias da Morte e Ressurreição de Cristo: Sl 22:1-31, Is 53:4-6, Sl 16:10

Profecias da Volta de Cristo: Sl 72:1-20, Dn 2:35, Dn 7:13-14, Jr 23:3-8

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